PSD e PS negoceiam adiamento da cobrança por 30 dias
"É muito difícil corrigir em justiça aquilo que já nasceu sem ela", afirmava ontem Pedro Passos Coelho a propósito das SCUT
Tiago Petinga, Lusa
Uma proposta apresentada nas últimas horas pelo PSD abre caminho a novo adiamento, em 30 dias, da introdução de portagens nas auto-estradas de Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata, até agora sem custos para o utilizador (SCUT). Os sociais-democratas querem ver alterado o calendário para o início da cobrança. Perante a proposta lançada para a mesa da comissão de Obras Públicas, o PS não fecha a porta à ideia de deixar passar a data de 1 de Agosto.
O primeiro dia de Julho era a data inicial estabelecida pelo Governo para a introdução das portagens nas SCUT. Por proposta do PS, passou para 1 de Agosto. Agora, socialistas e sociais-democratas procuram acertar agulhas em torno de uma proposta do maior partido da Oposição para que o arranque da cobrança só tenha lugar 30 dias após a entrada em vigor de um novo decreto-lei do Executivo. Em causa está o artigo 3.º do diploma que enquadra a cobrança de taxas de portagem nas auto-estradas de Grande Porto, Norte Litoral e Costa de Prata.
Introduzida na noite de quarta-feira, em sede de comissão parlamentar de Obras Públicas, a proposta do PSD propugna que "a cobrança de portagens" naquelas três vias SCUT tenha início "após a entrada em vigor do decreto-lei que institui a aplicação do princípio da universalidade" e "garante a aplicação de medidas de equidade e de discriminação positiva".
"O que veio a público, relativamente a discriminações positivas e à forma de cobrança de portagens, era algo que, do nosso ponto de vista, era uma baralhada", afirmava ontem Jorge Costa. "É necessário que existam princípios, que existam sistemas de discriminação que sejam claros, que sejam transparentes, que sejam exequíveis e que sejam entendíveis por toda a gente e, por isso, esta proposta vai no sentido de permitir que o Governo, afirmando esses princípios, possa apresentar o decreto-lei para alterar o decreto-lei anterior", advogou o demotado social-democrata.
Fonte:Lusa